O que é e por que fazer?

Na pecuária moderna, uma ferramenta zootécnica de revelada importância é o controle leiteiro. Além de aferir a capacidade de produção de leite de uma vaca, serve, também, para estimativas de produtividade e seleção do rebanho.
O Controle Leiteiro é uma prova zootécnica oficialmente reconhecida pelo Brasil, em consonância com os padrões internacionais. A execução deste serviço pauta-se pelas normas de Regimento próprio e pela legislação pertinente do Ministério da Agricultura e Reforma Agrária, cujo cumprimento e fiel observância estão sob inteira responsabilidade da instituição delegada.
O Controle Leiteiro pode ser definido como a melhor forma de acompanhar a evolução produtiva de cada vaca no rebanho. Consiste na pesagem, uma vez por mês, de todo o leite tirado de um animal. Há dois tipos de Controle Leiteiro: o oficial, realizado por instituições credenciadas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que emitem laudos sobre a produtividade e composição do leite e o não oficial, realizado pelo produtor e por seus funcionários, para mensurar o volume de produção.
O Controle Leiteiro Oficial é recomendado principalmente para os casos em que há interesse do produtor em comercializar os animais, situação em que comprovar a produtividade das vacas é importante para estipular seu preço de venda.
Os resultados de pesquisas em países de pecuária mais evoluída indicam que os rebanhos participantes de controle leiteiro oficial têm maior produtividade por vaca do que aqueles que não o executam, certamente devido à utilização das informações que esse instrumento zootécnico oferece.
O hábito de pesar o leite das vacas individualmente permite a tomada de decisões que contribuem para aumentar a eficiência da propriedade, e a principal vantagem do acompanhamento produtivo é verificar a persistência da lactação dos animais, permitindo assim a seleção de animais bons e ruins, o que se torna importante para aumentar a eficiência do rebanho.
Recomenda-se que ao iniciar o controle leiteiro no rebanho, se controle inicialmente apenas a produção de vacas recém-paridas, que no modelo oficial são aquelas com mais de cinco e menos de 45 dias pós-parto. Esses animais deverão ser controladas até o fim da lactação. Havendo a entrada de novas vacas recém-paridas no controle, ao final de um ano, todas as vacas já estarão sob controle leiteiro.
O controle serve ainda como indicativo da qualidade do manejo feito na propriedade. Mudanças muito bruscas na nutrição, no conforto, etc., também apresentam como consequência uma queda de produtividade, que pode ser acompanhada no controle leiteiro. Ainda como benefício do controle, o produtor pode definir se vacas devem ou não ser descartadas para abate, considerando a sua produção de leite – medida que proporciona economia de mão-de-obra e de fornecimento de alimento para o rebanho.
Outra vantagem é que animais mais produtivos devem e precisam receber mais alimento do que aqueles com baixa produtividade, ou seja, alimentos como concentrados serão mais bem utilizados por bovinos que produzem maior quantidade de leite.
Recomenda-se identificar individualmente através de brincos de orelha todas as vacas em controle leiteiro, para facilitar as anotações e o processamento de relatórios individualizados.
O controle leiteiro deve ser feito em uma, duas ou três ordenhas diárias, conforme o sistema adotado na propriedade e em quaisquer dos casos recomenda-se fazer a esgota total anteriormente a primeira pesagem.
Nos casos em que é feita análise do leite por laboratório, pode-se, ainda, detectar distúrbios associados à alimentação, como cetose ou acidose. Os dados mínimos que o controle deve conter são o nome de cada animal, o número de identificação e o peso do leite produzido por cada animal. É importante executarmos a coleta de amostras individuais de leite para através de análise em laboratório credenciado, determinar o teor de gordura, proteína, lactose ou outro tipo de análise, como por exemplo, contagem de células somáticas;
A qualidade da alimentação fornecida, o manejo desta alimentação, o conforto das instalações, a qualidade genética da geração seguinte, os procedimentos de ordenha, e outras atividades que afetam os índices reprodutivos e produtivos deverão ser mensurados para que novas decisões sejam tomadas, principalmente para que os pontos que estão estrangulando a atividade sejam melhorados.

O controle leiteiro:

  • Identifica as vacas com alta produção de leite;
  • Identifica as vacas com alto teor de gordura no leite;
  • Mostra que cada vaca contribuiu para a renda da propriedade;
  • Identifica as melhores bezerras a serem mantidas para futuras reposições no rebanho;
  • Descarta as vacas de baixa produção e aumenta a renda líquida;
  • Valoriza o pedigree dos animais controlados e de seus descendentes;
  • Aumenta o valor da venda dos animais excedentes;
  • Parte integrante no melhoramento genético do rebanho;
  • Parte integrante no programa de avaliação de vacas e touros;
  • Parte integrante do programa de evolução de PC para PO;
  • Duplica pontuação obtida em Exposições homologadas;
  • Auxilia no fornecimento da alimentação de acordo com sua produção;
  • Instrumento eficiente no auxílio a criação e manejo;
  • Marketing do rebanho.
Como interpretar os relatorios

ENTENDENDO OS RELATÓRIOS DE CONTROLE LEITEIRO

Tentaremos aqui exemplificar como devem ser interpretados os relatórios gerados pelo Serviço de Controle Leiteiro.

RELATÓRIO 2 – SUMÁRIO DE CÉLULAS SOMÁTICAS E PRODUÇÃO

Este relatório tem por finalidade apresentar mensalmente os resultados de produção, e células somáticas do último mês e dos 11 anteriores, possibilitando assim o acompanhamento dos valores individuais de cada animal para contagem de células somáticas, produção, % de gordura e % de proteína, dando uma visualização geral do rebanho no último ano.

NÚMERO SCL NOME COMUM DATA PARTO ORD.LACT IDADE ANO/MÊS DATA CONTROLE DATA CONTROLE DATA CONTROLE DATA CONTROLE DATA CONTROLE DATA CONTROLE DATA CONTROLE
27/08/2014 26/09/2014 30/10/2014 29/11/2014 30/12/2014 29/01/2015 29/02/2015
OFICIAL OFICIAL OFICIAL OFICIAL OFICIAL OFICIAL OFICIAL
  •  NÚMERO SCL – Número de identificação do animal no SCL.
  •  NOME COMUM – Nome pelo qual o animal é conhecido na propriedade, ou o nº de brinco.
  •  DATA DO PARTO – Data do último parto.
  •  ORDEM LACTAÇÃO – Ordem de lactação controlada oficialmente.
  •  IDADE – ANO/MÊS – Idade do animal na data do último parto.
  •  DATA DO CONTROLE – Data da realização do controle, sendo apresentados os últimos 12 (doze) controles.

II. Legenda – Legenda dos valores apresentados em cada campo de controle.

LEGENDA
CCS LEITE(kg)
%GORDURA %PROT.
  •  CCS – CONT. CEL. SOMAT. (x 1000) – Contagem de Células Somáticas, sendo que o valor apresentado deve ser multiplicado por 1000.
  •  LEITE (kg) – Quilogramas de leite no dia do controle.
  •  % GORD. – Percentagem de Gordura.
  •  % PROT. – Percentagem de Proteína.

III – Médias do Rebanho.

LEGENDA
ESCORE CCS LEITE(kg)
%GORDURA %PROT.
  •  ESCORE – Valor apresentado em função da contagem média de Células Somáticas do rebanho, conforme tabela.
ESCORE LINEAR VALOR MÉDIO VARIAÇÃO
0 12,5 0 a 17
1 25 18 a 34
2 50 35 a 70
3 100 71 a 140
4 200 141 a 282
5 400 283 a 565
6 800 566 a 1130
7 1600 1.131 a 2.262
8 3200 2.263 a 4.525
9 6400 acima de 4.525
  •  CCS – Este valor representa a média (ponderada) da Contagem de Células Somáticas dos animais com produção constante no relatório, sendo que este número deve ser multiplicado por 1000.
  •  LEITE (kg) – Média de leite dos animais com produção constantes no relatório.
  •  % GORDURA – Média (ponderada) da percentagem de gordura dos animais com produção constante no relatório.
  •  % PROTEÍNA – Média (ponderada) de percentagem de proteína dos animais com produção constante no relatório.

RELATÓRIO 2.2 – IMPACTO DA CCS NO TANQUE

Este relatório tem por finalidade apresentar mensalmente os resultados de CCS do último mês e o impacto causado no tanque individualmente em nº de células somáticas e em percentual.

I – Dados do rebanho no controle.

PRODUÇÃO TOTAL: 10592,4 No ANIMAIS: 322 DATA DO CONTROLE: 28/10/2015
MEDIA PRODUÇÃO: 32,4 MÉDIA CCS TANQUE: 151,04 DATA DA EMISSÃO: 04/11/2015
  •  PRODUÇÃO TOTAL – Volume total de leite dos animais controlados;
  •  MEDIA DE PRODUÇÃO – Media de leite (kg) por animal controlado;
  •  Nº ANIMAIS – Animais controlados;
  •  MEDIA CCS TANQUE – Média ponderada pela produção de CCS;
  •  DATA DO CONTROLE – Data da realização do controle;
  •  DATA DA EMISSÃO – Data da emissão ou geração do arquivo após o processamento.
VACA PARTO IDADE PRODUÇÃO CCS % TOTAL CCS/TQ. OBS:
  •  1ª COLUNA – Nº seqüencial dos animais no relatório;
  •  VACA – Identificação do animal, nome comum, brinco, colar;
  •  PARTO – Data do ultimo parto;
  •  IDADE – Idade do animal no ultimo parto;
  •  PRODUÇÃO – Produção de leite (kg) no controle;
  •  CCS – Contagem de células somáticas do animal no dia do controle;
  •  % TOTAL – Quanto que o animal tem percentualmente do total de CCS do rebanho, ponderado pelo volume de leite;
  •  CCS/TQ. – Quanto de CCS da média do rebanho é correspondente a este animal, ponderado pelo volume de leite;

RELATÓRIO 3.1. PRODUÇÃO E DESEMPENHO DO CONTROLE.

Este relatório tem por finalidade apresentar mensalmente os resultados de produção de leite atual, acumulado e projetado para 305 dias e resultados de analise do leite individual dos animais para % de gordura, proteína, lactose, sólidos e contagem de células somáticas do ultimo controle.

I. Dados do Animal

RAÇA REGISTRO APELIDO NASC IDADE CLASS TIPO
  •  RAÇA – Raça do animal;
  •  REGISTRO – No do registro do animal;
  •  APELIDO – Identificação do animal, apelido, nome comum, brinco, colar;
  •  NASCIMENTO – Data de nascimento do animal;
  •  IDADE – Idade do animal no ultimo parto;
  •  CLASSIFICAÇÃO PARA TIPO – Pontuação referente a ultima classificação para tipo.

II. Dados do Controle

PARTO LACT DIAS LACT No.  CONTR LEITE PERS %  GORD %    PROT %    LACT % SOL CCS
  •  PARTO – Data do ultimo parto;
  •  LACT – Nº da lactação em controle;
  •  DIAS LACT – Nº de dias de lactação entre o ultimo parto e a data do controle;
  •  Nº CONTR – Nº de controles realizados após o ultimo parto;
  •  LEITE – Produção de leite do controle (kg);
  •  PERS – Persistência da lactação em relação ao controle anterior, com as produções ajustadas para 4% de gordura, mostrando o valor em percentual em comparação com o controle anterior;
  •  % GORD – Percentual de gordura referente à amostra de leite coletada no dia do controle;
  •  % PROT – Percentual de proteína referente à amostra de leite coletada no dia do controle;
  •  % LACT – Percentual de lactose referente à amostra de leite coletada no dia do controle;
  •  % SOL – Percentual de sólidos totais referente à amostra de leite coletada no dia do controle;
  •  CCS – Células somáticas presentes no leite (x 1000/ml), referente à amostra de leite coletada no dia do controle;

III. Produções Totais

LEITE ACUM PROJ    305 PROJ.305 ID.ADULTA
  • LEITE ACUM – Produção de leite acumulada da data do ultimo parto ate o dia do controle;
  •  PROJ 305 – Produção de leite projetada para 305 dias, sendo que se a lactação ultrapassou os 305 dias, fica a produção real de 305 dias.
  • PROJ 305 ID.ADULTA–  Projeção para 305 dias Idade Adulta, com o objetivo podermos comparar animais de diferentes idades e números de partos.
No. ANIMAIS 681 03/04 82,62 2,22 229,85 6,8 32,4 57,4 1,65 1,48 2,23 5,86 72 8968,0
  •  Nº ANIMAIS – Na coluna apelido, informa o numero de animais presentes no relatório, constando os animais em lactação e animais secos;
  •  IDADE – Idade média dos animais na data do ultimo parto;
  •  CLAS TIPO – Pontuação media dos animais do rebanho que possuem classificação;
  •  LACT – Nº médio de lactações controladas dos animais em controle leiteiro;
  •  DIAS LACT – Nº médio de dias em lactação dos animais controlados em produção;
  •  Nº CONTR – Nº médio de controles realizados na ultima lactação em andamento;
  •  LEITE – Produção media diária de leite (kg) dos animais em lactação;
  •  PERS – Valor da persistência de lactação dos animais em lactação, referentes ao mês anterior, tendo suas produções ajustadas para 4% de gordura;
  •  % GORD – Percentual de gordura dos animais em lactação ponderado pelo volume de leite;
  •  % PROT – Percentual de proteína dos animais em lactação ponderado pelo volume de leite;
  •  % LACT – Percentual de lactose dos animais em lactação ponderado pelo volume de leite;
  •  % SOL – Percentual de sólidos totais dos animais em lactação ponderado pelo volume de leite;
  •  CCS – Valor da contagem de células somáticas (x 1000/ml) dos animais em lactação, ponderado pelo volume de leite;
  •  PROJ 305 – Valor médio das lactações em andamento projetadas para 305 dias.
Registros Especiais

O SCL destacará o desempenho dos animais, anotando-os em seu cadastro, sob forma de Registros Especiais, que são:

– Livro de Mérito;
– Livro de Escol;
– Reprodutora Emérita;
– Recordista Nacional;
– Produtora Vitalícia.

a) Livro de Mérito: Fará jus ao título a vaca que alcançar ou superar, em uma lactação, o mínimo de produção de leite e gordura, de acordo com a tabela de LM vigente.
– Os parâmetros mínimos estabelecidos na tabela de LM serão revistos, sempre que mais de 305 da população controlada os superarem;
– A tabela de LM determinará valores para lactação até 305 dias, em função da média nacional da raça;
– Todas as citações que partirem do Serviço de Controle Leiteiro, referente às lactações das vacas que alcançarem Livro de Mérito, receberão as iniciais LM.

b) Livro de Escol: É o titulo de eficiência produtiva e reprodutiva concedido à vaca que:
– Obtenha livro de Mérito na produção;
– Tenha nova parição subseqüente à do LM, dentro do intervalo entre parto de 427 dias;
– As lactações nestas condições são assinaladas com a sigla LE.

c) Reprodutora Emérita: É o titulo de excelência produtiva e reprodutiva concedido à vaca que obtiver Livro de Escol – LE – por 03 (três) lactações sucessivas ou 05 (cinco) alternadas.
– A designação deste titulo será pela sigla RE.

d) Recordista Nacional: É o título concedido à vaca que alcançar produção máxima de leite ou gordura em sua classe de idade e categoria, estabelecendo-se, assim, o recorde nacional.
– São homologados os Recordes Nacionais de Produção quando cumpridos o mínimo de:
1- 8 (oito) controles mensais regulares para lactações até 305 dias e 10 (dez) para as de 365 dias;
2- As lactações até 305 dias deverão ter LE;
3- As lactações até 365 dias deverão ter LM.

e) Reprodutora Vitalícia: É o título concedido à vaca que alcançar ou superar os mínimos de produção de leite ou gordura, na somatória de suas produções, de acordo com a tabela de produções vitalícias determinada e atualizadas periodicamente pelo Serviço de Controle Leiteiro – SCL.
– Serão concedidos certificados as vacas que satisfizerem estas condições, em suas diversas faixas de produção.

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